Os Poemas de Ninguém


"OS POEMAS DE NINGUÉM" está pronto! Nas livrarias lá para Setembro ou Outubro.

"Os Poemas De Ninguém"

Os Poemas de Ninguém estarão brevemente em livro. Por essa razão alguns poemas foram removidos do blog A Torre e do blog de Poemas para Ninguém. Conto com o vosso interesse e apoio.
Espero que com esta minha iniciativa consiga sublinhar um pouco mais o nome da nossa terra no livro geográfico.
Haverá quem critique de forma destrutiva e absurda, mas a esses dedico-lhes os Aforismos Intempestivos... também não se pode criticar o que não existe, por isso só o que se faz é criticável.

Ao Zé do Bombo



Não te chamavas Esteves,
Ò Zé do Bombo!
Não te chamavas Esteves,
Mas eras um homem sem metafísica.
Tem mais razão seres imortalizado tu,
Que rezavas e bebias como um pipo,
Que um outro qualquer que se julga com nome.
Tu eras a festa na vida.
Não te foste sem teres vivido.
Nem notaste que foste,
Nem viste que estavas a ir,
E assim é que devia ser!
Ò Zé do Bombo,
Faz-me agora um favor:
Se vires a morte,
Rebenta-lhe o bombo
Na cabeça (se a tiver)
E diz-lhe que na nossa terra
Toda a gente faz falta.

19-05-2005

João Bosco da Silva

Arroz de cabidela

Acordo com uma sensação estranha.
Tenho entranhado nos poros, o aroma do teu corpo.
Acordo e tenho aquela lucidez de ter apenas o essencial desperto.
Sinto-te ao meu lado e tudo, faz-me lembrar
Aquele cheiro da minha infância, que antecedia o arroz de cabidela.
Aquele cheiro a galinha morta, em àgua a ferver,
Mesmo antes de depenar, com o corte na nuca.
Faz-me sentir bem, porque nessa altura, me sentia bem
E feliz, porque simplesmente, não sabia que o era.
Ainda gostava do arroz de cabidela,
Porque o sabor é agradável.
Ainda não me tinham enchido a cabeça com hemácias,
Eritrócitos, glóbulos brancos, o plasma e tudo o resto.
Agora, enoja-me pensar em comer o sangue de outro animal.
Fazes-me sentir como quando sentia esse cheiro a galinha escaldada.
Sentia-me seguro e a minha mãe, era a pessoa mais sábia do mundo.
Agora, que sei saber menos do que antes julgava saber,
Que encolhi o mundo com os meus passos,
A minha mãe parece-me saber muito menos que eu,
Eu, que nunca matei uma galinha, nem preparei um arroz de cabidela.
Apenas participava no sacrifício como espectador,
Ou lhe segurava nas asas, enquanto o sangue
Corria para o recipiente já com vinho da casa.
Fazes-me sentir seguro, agora que vivo só de mim
E na minha constante insegurança e falta de confiança.
Não me conheces e nunca me conhecerás,
Mas o que te mostro é suficiente e o que te oculto,
Deixa que me toleres.
A galinha, parece-me, era cozida no próprio sangue,
Eu sou cozido na própria vida,
Mas tu sabes o que fazes, porque nem pensas nisso.

Novo site


A revista A Torre tem um novo site, completamente remodelado, mais funcional e atractivo. Desta forma pretendemos cativar mais atenções para a revista e os seus conteúdos, dando resposta ao crescente número de visitas que temos tido. Com novas funcionalidades e navegação facilitada é agora mais fácil ler, comentar e fazer download da revista de Torre de Dona Chama.


Maior Sela do Mundo

Desde há muito tempo que a Vila de Torre de Dona Chama é reconhecida pelo vasto leque de artesãos que possui, responsáveis pela grande parte do artesanato produzido no concelho e mesmo no distrito.
Tendo consciência dessa realidade, e dado o risco de extinção a que estão votadas algumas artes, sentiu-se a necessidade de proporcionar uma homenagem tão merecida ao artesanato e sobretudo aos artesãos da Torre.
Tal ideia tornou-se na pretensão de entrar para o livro do Guinness com um trabalho artesanal, que permitisse o seu conhecimento num âmbito internacional.
Em Novembro de 2007, a Junta de Freguesia de Torre de Dona Chama iniciou uma candidatura para a construção da “maior albarda da mundo” perante o Guinness. Dada a inexistência da categoria “albarda” no livro dos recordes, foi-nos indicada a alteração para a construção de uma sela (categoria já em monitorização pelo Guinness).



Depois de uns longos três meses, eis que chega aquela que era sem dúvida a compensação mais valiosa pelo esforço, pela dedicação daqueles que como sabemos foram os autores da maior Sela do mundo.
Foi no passado dia 29 de Maio que chegou à Vila de Torre de Dona Chama o esperado certificado do recorde ao Guinness.
Foi o resultado de muito trabalho muita dedicação que permitiu mostrar ao mundo que numa pequena vila do interior do Nordeste transmontano existem pessoas de garra e de vontade.
Enquanto Presidente da Junta tenho que agradecer aos artesãos Carlos Almeida e Manuel Nogueira, que logo que lhes foi lançado o desafio não mais pararam, a todos aqueles que colaboraram connosco tornando aquela que parecia uma verdadeira aventura numa realidade.
A Junta de Freguesia pretendeu dar a maior ênfase possível a este feito e assim desenvolveu um projecto para um edifício que será um espaço dinâmico – Museu das Artes e Ofícios, espaço este que assume uma forma perfeita de valorização do nosso artesanato.

Paula Lopes

Rio de Outrora - Manuel Serra

... Após o término das aulas, todos os dias da semana eram iguais para mim. Era mais um dia, um belo dia de rio. De manhã, em encontros com os meus amigos, combinava-se hora e local para depois de almoço nos fazermos à estrada, ou melhor, ao caminho de terra batida que nos encurtava as distâncias desde o centro da Torre até à ponte de pedra. Na maioria das vezes “plantávamo-nos” em frente ao ciclo a fim de pedir uma ou outra boleia a quem quer que transitasse em direcção ao rio. Conhecidos ou nem tanto, pouca diferença nos fazia. Simplesmente queríamos evitar ir a pé sob um sol escaldante e também porque o tempo que se poupava dava para mais uns quantos mergulhos. A procura de transporte alheio era tanta que era fácil encontrar outro grupo de amigos em local diferente com o mesmo intento. Contudo, a experiência leva à perfeição, e nós éramos peritos nessa matéria ...

Casa ou Museu do Careto.

A designação de um espaço que se quer tradicional.


A proposta de integrar um museu num edifício existente é por si só uma boa escolha. Permite para além de conservar o nosso património, compreender as tradições, num espaço onde hoje nos parece ser cenário, outrora era a realidade.
O edifício fica localizado no centro da zona mais antiga da Vila de Torre Dona Chama, junto a igreja paroquial e ao pelourinho.
Rodeado de ruas estreitas e sinuosas, construções de arquitectura tradicional de rés-do-chão e primeiro andar, com pequenas varandas e aberturas tímidas, feitas em tabique e granito, revestidas com argamassas a base de barro ou saibro, pintadas de branco, molduras de portas e janelas destacadas com outras cores vivas e coberturas em telha cerâmica que o tempo cobriu com patine. Esta é toda a envolvente que recebe o futuro Museu do Careto...

Aniversário e inaugurações

No passado dia 29 de Junho os habitantes da nossa Vila congratularam-se com as comemorações do 19º Aniversário da passagem da Torre de Dª Chama a Vila e o 721º Aniversário da atribuição do 1º Foral, por D. Dinis.
A abertura das comemorações foi levada a cabo por uma magnífica interpretação de alunos daEspoarte - Escola Profissional de Arte de Mirandela.Associada a estas comemorações pudemos assistir a vários eventos:- Assinatura de um memorando de compromisso para que a Vila de Torre de Dona Chama seja mais uma vez o centro da distribuição de saúde com a aquisição de uma Unidade Móvel de Saúde, pela Junta de Freguesia, Unidade de Saúde Familiar e Sub-região de saúde de Bragança;- Lançamento da primeira pedra para edificação do Pavilhão Multiusos no edifício do Celeiro;- Assinatura do protocolo da Junta de Freguesia com a Associativa de São Brás – Clube de Caça e Pesca, para cedência da Casa das Olgas, que passará a ser a sua sede.
É de grande relevância destacar a presença e intervenções de diversas entidades, que vieram enriquecer os festejos, como o Sr. Governador Civil de Bragança – Dr. Jorge Gomes, Sr. Presidente da Câmara Municipal – Dr- José Silvano, Sra. Coordenadora da Sub-região de Saúde de Bragança – Dra. Berta Nunes, Sra. Presidente da Junta de Freguesia – Dra. Paula Lopes, Sra. Coordenadora da USF – Dra. Rosa Maria, Sr. Presidente do Clube de Caça e Pesca – Sr. José Augusto, entre outras.
Queremos agradecer a todos os que mostraram o seu empenho na organização destes eventos, bem como a toda a população presente, que demonstrou dessa forma o seu interesse pela evolução da vila.
Junta de Freguesia de Torre de Dona Chama

Quinta edição




Natal a crédito


Tuas barbas caídas sobre o peito

Tuas barbas caídas sobre o peito,
Amareladas de sujo e abandono,
Cheias de não sei que sabedoria ou ignorância profunda,
Fazem-me quase desejar o teu reino.
Que leve andas tu: três sacos cheios de tralha,
A tua tralha, não a tua vida.
A tralha de alguns torna-se a vida deles,
Mas a tua é só para ir andando,
Para o mínimo conforto na tua passagem.
Que leve andas! Quão leve anda,
Quão livre é quem nada tem!
Tudo o que tens são esses três sacos
E esse é o teu peso.
O teu olhar nas pessoas que passam...
Olhas como quem olha a corrente de um rio,
A corrente dá-me calma,
Tu dás-me calma
E ensinas-me, sem nada dizeres, o verdadeiro valor
Disto que estou a usar.
Por vezes esqueço-me...
Por vezes perco-me em coisas fúteis,
Em ideias falsas e mundos postiços.
Aí abandonado pela sociedade,
És mais tu do que os que passam.
Deles só queres uns metais para comer,
Porque estás numa cidade,
Porque os homens estão a tornar tudo numa cidade
O que dificulta a liberdade, a tua liberdade...
O que sonhas, o que desejas, o que ambicionas?
Sentir a relva fresca, o teu peso nos músculos,
Cores que passam, se mexem, pessoas, pombas,
O ruído dos carros que passam, das vozes que se atropelam...
A teu mundo és tu e três sacos
E isso torna o teu olhar leve, despreocupado, livre.
Não tens o ar carregado de quem tem que fazer isto,
Para ganhar aquilo, para comprar aquela outra coisa.
Não temes perder o que tens, porque é tão pouco,
Quase nada. Não temes porque só te tens a ti
E aos teus sentidos e à tua vida... e sabes isso.
Esquecemo-nos que só nos temos a nós,
Aos nossos sentidos, à nossa vida...
Se falasses e pregasses a tua doutrina do nada,
Do tudo, do essencial, da vida...
Saltar para o vazio dá uma descarga de frescura,
De liberdade que nos explode no peito,
Nos limpa a alma de porcarias e coisas importantes,
Torna-nos puros e cheios de vida, porque só essa importa.
Era um vez um homem que não tinha nada
E era o mais rico de todos os homens da grande cidade!
06-03-06
João Bosco da Silva

“Preparem os fatos”

Um dia depois da folia, o merecido descanso observa-se pela ausência dos principais actores da grande noite de natal (vulgo “ciganada”). Mas esta história começa a ser preparada com muitos dias de antecedência e impaciência. A espera deste dia, desculpem-me os religiosos e crentes, não se prende com o espírito natalício, um tempo de paz, caridade, solidariedade, e todo o sentimento de amor ao próximo. Natal é para as crianças!!!!. Para a maioria, e espero não estar enganado, o natal, por estes lados, é mais um dia, apenas mais um, mas a noite (ahh! A noite…) essa sim, vale a pena esperar o resto do ano. Sentimentos à parte, a ansiedade desse dia corre nas veias dos “teenagers” até aos mais graúdos. A 30 dias da grande noite comenta-se: já só falta um mês!!!!, estamos quase lá!!, este ano é que vai ser!!!.
Devo esta
r a fazer-me entender. Aqueles que o comentam, aqueles que o vivem, nem precisavam de prenunciar qualquer palavra. O simples esfregar de mãos, o brilho no olhar reflecte a proximidade do evento. Alguém dizia “preparem os fatos”. Não, não é o de cerimónia da missa do galo ou da bênção do pão. É um muito mais divertido e de maior destaque. São as vestes dignas da melhor apresentação possível para a bendita noite.
Todos sentem esta festa, mesmo os que estão longe. Aliás, esse é um dos motivos pelo qual regressam à terrinha por essa data. A questão é que remetem “a coisa” para questões familiares…ah e tal, passar as festas com a família…tem de ser!!. Digam lá a verdade…vamos até lá porque há de facto a loucura, o exagero, a desgraça de uns quantos incontáveis copos de vinho, gargalos de cerveja, uns “tiros” para alguns de levar o “caixão à cova”. Esse sim é o verdadeiro motivo. Claro que se aproveita..a família estar presente, mas torna-se evidente que passam a segundo plano. De todas as festas esta é “ a festa rija”. Apesar das condições climatéricas, os corpos são lançados ao relento, à chuva e ao vento, mas eles deambulam pelas ruas estreitas, agarrados a um qualquer dispositivo emissor de barulho e entoam versos quase imperceptíveis mas sempre hilariantes. Deve ser com certeza os efeitos colaterais da bebida. Mas quem está atento? Quem vai reclamar? Pode aparecer um ou outro mas esses são os que estão dentro de casa e que esperam que a comitiva lhes atire uma alcunha bem merecida mas por poucos bem recebida - também por estas bandas assenta como uma luva o “velho do Restelo”-.
A romaria continua mas a história já todos a conhecem. Pelo menos é a única que ecoa pelos comentários de quem a visita e a sente.


Nelson Paçó

Lançamento do 2º número d' A Torre

Imagens brevemente disponíveis.
Conteúdos online no site
http://atorre.com.sapo.pt

Acto 1


A cerimónia de lançamento da Revista A Torre decorreu ontem às 18h na Galeria da Praça Central da Torre de Dona Chama, contando com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Dr. José Silvano, do Presidente da Assembleia Municipal de Mirandela, Dr. José Manuel Pavão, da Presidente da Junta de Freguesia de Torre de Dona Chama, Drª. Paula Lopes e do Editor da revista, Dr. João André Nozelos.